Será que educamos nossos filhos para a igualdade entre os gêneros?
 
05Feb

Será que educamos nossos filhos para a igualdade entre os gêneros?

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Claudio Herique

 

 
Nas minhas palestras, eu costumo fazer uma reflexão sobre algumas das coisas que aprendi sobre a igualdade entre os gêneros, nessa minha experiência de “executivo que virou dono de casa”. Uma delas foi perceber que os exemplos que damos aos nossos filhos são fundamentais. E nesse contexto, insere-se também a igualdade entre os gêneros. Ela deve ser ensinada em casa e muitas vezes os pais não percebem a importância que têm nesse papel.
 
Certos comportamentos que temos com os nossos filhos, por mais bobinhos e despretensiosos que sejam, podem estar reforçando a ideia de que homens e mulheres são diferentes. Quer um exemplo? Quantas vezes não dizemos para nossos meninos que “homem não chora”? Quantas vezes não ensinamos nossas filhas que “lugar de mulher é na cozinha”? Quem nunca estabeleceu em casa as tarefas “dos meninos” e “das meninas”? Quem nunca disse que “menino não brinca de boneca” e “jogar bola não é brincadeira de menina”, que atire a primeira pedra.
 
Todos nós podemos errar, mas é preciso lembrar que não há mais papéis predefinidos nem na sociedade, nem na casa da gente. Por isso, devemos estar atentos para não reproduzirmos com nossos filhos, os mesmos conceitos que ouvimos dos nossos pais.
 
Claro que tudo isso é muito subjetivo, mas o que me moveu a escrever esse artigo foi uma matéria muito interessante publicada pelo site “Oficina de Imagens”, que traz dados concretos sobre como a forma como educamos nossos filhos ainda está longe de promover a igualdade entre os gêneros. A reportagem repercute um estudo feito pela Plan international, que é uma organização mundial, presente em 51 países, que luta pelos direitos das crianças.
 
Nesse estudo, intitulado “Por ser menina no Brasil, crescendo entre direitos e violências”, a Plan entrevistou 1.771 meninas entre 6 e 14 anos nas cinco regiões do País e os resultados mostram como nossas crianças ainda são educadas num cenário de absoluta desigualdade na distribuição das tarefas domésticas - 81,4% das meninas relataram que arrumam a própria cama, tarefa que só é executada por 11,6% dos irmãos meninos. Entre as meninas, 76,8% das meninas lavam a louça e 65,6% limpam a casa. Nos meninos, esses índices foram de apenas 12,5% e 11,4%, respectivamente.
 
(reprodução de arte - Site Oficina de Imagens)
 
Essa pesquisa nos ajuda a entender os motivos pelos quais as mulheres ainda têm muita dificuldade de acesso a oportunidades iguais, a começar pela escola. Desde muito cedo, as meninas recebem esse papel de cuidadoras. Como elas gastam mais tempo com as tarefas domésticas, certamente sobra menos tempo para estudar, por exemplo. Na fase adulta, esse fenômeno acaba se repetindo também no mercado de trabalho.
 
Vale a pena refletir sobre a maneira como criamos nossos filhos e o que esperamos deles no futuro. A cooperação nas atividades domésticas é importante para o desenvolvimento de meninas e meninos e talvez, mais importante do que isso, seja uma boa ferramenta para ensinar a igualdade e o respeito.
 
A matéria completa publicada pelo site Oficina de Imagens está no link http://oficinadeimagens.org.br/o-que-e-ser-menina-no-brasil-desigualdade-de-genero-desde-a-infancia/.


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