Quer mais mulheres na liderança? Ofereça licença paternidade
 
28Jul

Quer mais mulheres na liderança? Ofereça licença paternidade

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Claudio Herique

 

 

A revista Fortune abordou recentemente um tema que começa a se destacar no cenário corporativo dos Estados Unidos. Apesar do presidente Barack Obama ter afirmado que a adoção da licença paternidade será uma das prioridades dos dois últimos anos da sua administração, o tema está em declínio nas empresas norte-americanas. E isso não ajuda em nada na redução da desigualdade entre homens e mulheres.
 
Não é segredo que as mulheres ganham menos do que os homens, mas a revista aponta que uma das formas de reduzir essa diferença seria liberar os homens para cuidarem dos filhos. Os números comprovam isto. Uma pesquisa realizada pelo New York Times em 2014 mostra que os ganhos futuros das mulheres que tiveram seus maridos em licença paternidade foram em média de 7% para cada mês de licença tirado pelo homem.
 
Na teoria, essa solução ajudaria a reduzir essa diferença salarial, mas a prática ainda está longe disso. O mesmo estudo apontou uma redução de 5% na quantidade de empresas que oferecem o benefício entre 2010 e 2014. E mesmo nas empresas que oferecem a licença paternidade, 89% dos homens tiraram, no máximo, uma semana de afastamento.
 
Uma das explicações para esse baixo engajamento é o estigma poderoso que ainda persiste na sociedade de que cuidar das crianças é uma tarefa feminina. Enquanto esse preconceito não é quebrado, a boa notícia é que algumas empresas já perceberam que a licença paternidade é um dos caminhos para apoiar a liderança feminina e estão fazendo sua parte.
 
O melhor exemplo é dado pelas empresas do Vale do Silício. O Google oferece três meses de licença, enquanto o Facebook e o Reddit estenderam o benefício para 17 semanas. E o site Change.org recentemente passou a oferecer 18 semanas para qualquer empregado, que se tornar pai ou mãe pela primeira vez, seja biológico ou não.
 
 
Temos que comemorar essas iniciativas do mundo corporativo. Não precisamos, sejamos homens ou mulheres, escolher entre viver e trabalhar. Fatores como a gravidez e a maternidade (e paternidade, claro) fazem parte da nossa vida e, felizmente, algumas empresas já compreenderam que é possível conciliar as coisas. Nos resta lutar para que cada mais vez empresas incorporem esse pensamento, mas além disso, talvez o maior desafio ainda resida na mudança da mentalidade.
 
Precisamos acabar com esse estigma de que o homem não deve se envolver no cuidado dos filhos. Eu sei que não é fácil enfrentar esse preconceito – essa é a história que eu conto no meu livro “Macho do Século XXI” – mas o mundo mudou. O homem precisa valorizar a paternidade participativa. O prazer de ver um filho crescer não tem preço e muitos homens se privam disso apenas em função de uma visão ultrapassada da sociedade.
 
Não tenho dúvida que o melhor caminho para reduzir as diferenças e promover a liderança feminina é termos pais que compartilham as responsabilidades dos filhos com suas esposas e companheiras. Eu não culpo os homens, infelizmente somos criados assim. Mas sempre podemos mudar. Por isso, tenho o maior orgulho de compartilhar minha história.
 
Pare ler a matéria da Fortune na íntegra (em inglês), acesse o link: http://fortune.com/2015/02/01/paternity-leave/

 


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