Dia do Papai, uma ideia no mínimo diferente
 
28May

Dia do Papai, uma ideia no mínimo diferente

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Claudio Herique

 

Mesmo nos países onde a igualdade entre os gêneros é um conceito mais bem aceito, as mulheres ainda estão muito mais vinculadas à tradição de cuidar da casa e dos filhos do que os homens. Recentemente, li um artigo no jornal O Globo que fala sobre a divisão dessas responsabilidades entre homens e mulheres que traz uma série de informações e reflexões importantes sobre o tema.
 
Segundo a jornalista Flávia Oliveira, que assina o artigo “Chega de Padecer no Paraíso”, as famílias holandesas têm adotado o “Dia do Papai”, que é o dia da semana no qual as crianças, sem aula, ficam sob a inteira responsabilidade dos homens. As mulheres ficam desobrigadas dos afazeres domésticos e usam esse tempo livre para cuidarem de si mesmas.
 
 
Confesso que achei a ideia interessante. E acho que vou tentar instituir esse acordo aqui em casa, mas só que ao contrário, já que sou eu quem fica em casa e minha esposa é quem trabalha fora. Brincadeiras à parte, a boa notícia é que os homens já estão mais abertos à ideia de compartilhar as responsabilidades com as mulheres, mesmo no Brasil. De acordo com um estudo do IBGE, as mulheres brasileiras dedicam, em média, três horas e meia por dia às atividades do lar, enquanto os homens o fazem por uma hora e 14 minutos.
 
O grande problema é que esse vínculo com as atividades domésticas acaba impactando diretamente as escolhas profissionais das mulheres. No Brasil, elas representam 52% da força de trabalho, mas quatro entre dez graduadas possuem carreiras relacionadas a educação, saúde e bem-estar. São professoras, enfermeiras, assistentes sociais. Na prática, elas exercem carreiras “femininas”, segundo o padrão predefinido na sociedade tradicional.
 
O mesmo artigo também chama a atenção para o fato de que até mesmo os programas sociais como o Bolsa Família e o Minha Casa Minha Vida reforçam o vínculo das mulheres com a casa, pois a maioria dos benefícios são concedidos a elas, sob o pretexto de que conseguem gerenciar melhor essa verba, visando o bem estar de toda a família.
 
A professora da Universidade Federal de Londrina, Cássia Maria Carloto, define bem a situação. “A mulher fica presa à maternidade, especialmente na baixa renda. Não se pensa em construir a autonomia econômica e social delas. Não temos creches, educação em horário integral, equidade salarial. Não se fala em compartilhar responsabilidades”.
 
Ela tem razão. Mas acho que essa questão vai além disso.
 
A evolução feminina é notável em todos os setores e a sociedade está caminhando no sentido de quebrar os velhos paradigmas e preconceitos do passado, que cada vez terão menos espaço no Século XXI. Não dá para negar que o machismo ainda é um elemento forte da nossa cultura, mas algumas mudanças já estão acontecendo com mais naturalidade, principalmente nas camadas da sociedade que têm mais acesso à educação.
 
Não é por acaso que a igualdade entre os gêneros é mais respeitada nos países que apresentam um padrão educacional mais elevado. Uma pesquisa realizada recentemente nos Estados Unidos pelo Boston College Center, apurou que 53% dos homens americanos manifestaram-se positivamente em relação à ideia de ficar em casa para cuidar dos filhos caso suas esposas apresentassem renda suficiente para cobrir todas as despesas da família.  
 
O caminho para a igualdade é longo e passa pela melhoria da educação e pela mudança dos padrões de comportamento da sociedade. Ainda vai levar um tempinho para chegar por aqui. Por enquanto, a exemplo do que afirma a Flávia Oliveira, as mulheres padecem no paraíso. Mas não custa nada tentar instituir esse tal “Dia do Papai” adotado na Holanda. Como dono de casa, adorei a ideia. Basta saber o que minha esposa pensa sobre isso. O jantar de hoje lá em casa vai ser animado...
 
Para ler o artigo “Chega de padecer no paraíso”, publicado pelo O Globo, clique no link: http://oglobo.globo.com/sociedade/chega-de-padecer-no-paraiso-12449754#ixzz331jWPwlV.


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