Conheça o jornalista que trocou a redação pelas fraldas. E não se arrependeu.
 
08Aug

Conheça o jornalista que trocou a redação pelas fraldas. E não se arrependeu.

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Claudio Herique

 

Vida de jornalista não é fácil. Às vezes, inclui fechamentos de edições até altas horas da madrugada, viagens longas, plantões aos finais de semana. Sem contar que “estabilidade no emprego” é uma expressão que o jornalista não conhece e, por isso, está sujeito a altos e baixos também do ponto de vista financeiro. Gustavo Henrique Ruffo já estava acostumado com tudo isso, mas nunca se apertou. Até o dia em que teve que tomar a decisão mais difícil da sua vida: deixar o emprego de editor numa revista para trabalhar de casa e poder se dedicar aos seus dois meninos – Gabriel, hoje com dois anos e meio de idade e Leonardo, que nasceu há apenas três meses.
 
Abrir mão de um salário fixo é uma decisão complicada, principalmente com um bebê de colo e outro a caminho. Mas depois de muito cálculo, ele e a esposa, Fernanda, que trabalha como fisioterapeuta num hospital há 15 anos, concluíram que deixar a redação seria a melhor decisão. “Ela concordou comigo e me deu o apoio de que eu precisava para pedir o boné. Conversei com pessoas para as quais eu já havia trabalhado como “freelancer”, acertei alguns trabalhos avulsos e me vi, de uma hora para outra, trabalhando em casa”, recorda Gustavo.
 
 
 
 
Ele conta que levou um tempo para se ajustar à nova condição, principalmente em relação à cobrança da sociedade. “Os parentes e amigos te perguntam se você vai continuar vivendo na aba de sua mulher ou quando você vai conseguir ajudá-la no orçamento. Mesmo que você já faça isso, o fato de não ter um emprego fixo incomoda demais”, comenta o jornalista. Essa condição o levou a aceitar um emprego como repórter em um jornal, mas, com o salário reduzido, concluiu que ficaria mais caro trabalhar e contar com uma ajuda externa para cuidar dos meninos.
 
Gustavo já se adaptou às rotinas de duas crianças pequenas, mas o começo foi bem complicado. Ele conta que os dois bebês sempre foram tranquilos, mas ele é que não sabia muito o que fazer. “Nos intervalos entre os “frilas”, eu cuidava de algumas tarefas da casa, como lavar roupa ou a louça”, descreve. Gabriel começava a dar os primeiros passos e o problema era administrar a energia extra do menino, a resistência ao sono, evitar que ele despencasse da cadeira ou da mesa em que insistia em subir ou que matasse a gata de estimação. “Falhei nessas missões algumas vezes, mas milagrosamente a gata continua viva!”, brinca o pai atarefado.
 
 
 
 
 
Em meio a um trabalho e outro, o jornalista precisou aprender a conviver com o caos. Em meio a entrevistas, apurações das informações e muito tempo diante do computador, ele cuidava dos meninos. “Escrevia um parágrafo e corria para acudir o Gabriel, que queria ir ao banheiro. Entrevistava um executivo enquanto o Leonardo dava um arroto daqueles depois de mamar até dormir. Parava de escrever ao ouvir minha mulher gritar, de longe, numa das poucas chances que ela tinha de ir ao banheiro, ao ver o Gabriel tentando pegar o Leonardo no colo. Era um sufoco”.
 
Gustavo explica que, aos poucos, ele e a esposa estabeleceram uma rotina mais organizada, para que ele pudesse, além de escrever com mais tranquilidade, ter tempo de se dedicar aos meninos. Hoje, ele consegue levar o Gabriel ao playground ou colocar o Leonardo para dormir, sem sentir aquela culpa de poder estar perdendo alguma chance de trazer dinheiro para casa. “Conseguimos um equilíbrio melhor e já não me preocupo tanto com a cobrança externa. Sei que estou fazendo o melhor para a minha família e isso é o mais importante”, resume.
 
Três meses depois da chegada do Leonardo, Gustavo vai passar seu primeiro Dia dos Pais como pai de dois meninos, sabendo que só tem motivos para comemorar. “Estou tendo a chance acompanhar pelo menos um dos meus filhos passar de bebê a menininho. Vi o cordão umbilical cair, presenciei a primeira risadinha. Assim como minha mulher, sei se ele chora por sono, por fome ou porque já quer ver o mundo”, descreve.
 
 
 
 
 
O pai dedicado faz questão de dividir as responsabilidades e alegrias com a esposa. “A melhor coisa que realmente me aconteceu foi ter conhecido minha mulher. E ter tido com ela dois meninos lindos, fortes e saudáveis, que queremos ajudar a crescer e a fazer boas escolhas. Queremos ajudá-los a viver uma vida plena, honesta, boa para meus moleques e para os que tiverem a alegria e a sorte de conviver com eles.”
 
O jornalista sabe que os aprendizados dessa experiência são muitos, incluindo o fato de ser um homem que se ocupa de boa parte do serviço da casa e do cuidado com as crianças. Ele aprendeu a se virar numa casa desde muito jovem e pretende passar esse aprendizado para seus filhos. “Torço para que eles sejam bons donos de casa, em tempo integral ou nos períodos de lazer, não importa. No final das contas, se eles souberem cuidar de uma casa, saberão cuidar das próprias vidas, de suas esposas e de seus filhos, como eu tenho me esforçado em fazer com eles”, completa.
 
Fiz questão de compartilhar essa história aqui no blog, pois ela ilustra bem que não existe mais espaço para papéis predefinidos no Século XXI. A compreensão e o entendimento mútuos são os caminhos para a felicidade. A Fernanda, o Gabriel e o Leonardo têm muita sorte por poderem contar com o Gustavo, que encarou esse desafio com o coração aberto e tem feito tudo com a maior dedicação.
 
Parabéns, Gustavo. Contar sua história aqui no blog foi a melhor homenagem que eu poderia fazer a todos os pais neste dia tão especial. 


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