Mãe, esposa e executiva. Que tal encarar um novo desafio?
 
19Nov

Mãe, esposa e executiva. Que tal encarar um novo desafio?

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Claudio Herique

 

 
O maior desafio da mulher moderna talvez seja encontrar um balanço perfeito entre vida pessoal e profissional. Mas se conciliar o papel de mãe e de esposa com uma carreira profissional bem sucedida já não parece uma tarefa das mais fáceis, imagine acrescentar a este desafio a preparação para correr uma maratona. Esse foi o desafio que a Cristiane, executiva de uma multinacional, resolver encarar, apesar de uma vida tão agitada.
 
Contando com o total apoio do marido, um horário mais flexível na empresa e uma mãozinha do restante da família, ela acabou de completar em pouco mais de quatro horas a Maratona de Chicago. Essa história mostra que é possível encontrar um equilíbrio, desde que haja compreensão e apoio das pessoas que estão ao nosso redor. Mais do que isso, é um exemplo de que vale a pena (e muito), correr atrás dos nossos objetivos. No caso da Cristiane, ela saiu literalmente, correndo atrás dele.
 
Conheça agora essa história inspiradora, contada pela própria Cristiane. E fique à vontade para compartilhá-la com seus amigos.  
 
Meu nome é Cristiane Santos Blanch, tenho 36 anos, trabalho na área de Comunicação Corporativa de uma grande empresa, sou casada e tenho dois filhos. Vivo aquele dilema atual de tentar equilibrar a vida pessoal com a profissional. Como gosto de desafios, para tornar esse equilíbrio ainda mais complexo, decidi correr uma maratona!
 
Minha história com a corrida começou há 12 anos. Eu sempre fui sedentária, nunca tinha feito atividades físicas e o corpo começou a reclamar. Minha luta com a balança era cada vez mais difícil e eu precisava de um aliado: a atividade física. Por isso, comecei primeiro com a natação (eu não sabia nadar) e dentro da academia presenciei o boom das corridas de rua. Aquilo me encantou, mas eu não conseguia correr nem 100 metros. Um dia, resolvi tentar.
 
Foi difícil terminar um quilômetro, mas de alguma forma aquilo mexeu comigo. Aos poucos a resistência foi melhorando e comecei a participar das corridas de rua. Para mim, que nunca tinha ido bem em nenhum esporte, ganhar uma medalha no final de cada prova era a glória, mesmo sendo apenas de participação.
 
Tive alguns imprevistos, lesões, reinícios, mas a corrida te traz uma vontade de ir além, de vencer você mesmo. Como nunca fui uma corredora rápida, as provas de longa distância chamaram minha atenção. Em 2007, fiz minha primeira maratona, na Disney. Terminei em 4h44, com um orgulho enorme.
 
Ao longo de todo esse processo e da minha história com a corrida, estava meu trabalho e minha família. Meu marido (que ao contrário de mim, fez muita atividade física na infância e adolescência) voltou ao esporte também, correndo, nadando e andando de bicicleta. Fomos trilhando esse caminho juntos, equilibrando a vida pessoal e profissional.
 
Mas em 2007 tudo mudou. Vinte dias depois da maratona, meu grande sonho se realizava. Eu estava grávida! A vida esportiva ficou em espera e tudo que eu queria era me preparar para a chegada da Fernanda. Após o nascimento dela, retornei às corridas aos poucos. Cerca de dois anos depois voltei a correr provas de meia maratona. Meu marido e eu estabelecemos uma parceria e nos dividíamos para que cada um pudesse treinar.
 
Em 2010, mais um presente, agora a gravidez do Rodrigo! Mais uma pausa, mais um recomeço, e no final de 2011 eu estava de volta às pistas.
 
Com dois filhos, marido, casa, trabalho, família, não é fácil! É preciso se desdobrar e buscar horários alternativos e fazer um revezamento. Meu marido e eu tentamos nos revezar para que um fique com as crianças enquanto o outro pode treinar. Quando temos que treinar ou correr no mesmo horário, entram em ação minha mãe, minha sogra ou mesmo minha empregada. Também faço um revezamento entre elas para não abusar de nenhuma delas.
 
A empresa onde trabalho também me permite equilibrar as coisas. Consigo fazer um dia de home office, o que me ajuda a trabalhar temas que exigem maior concentração. Saio sempre no horário para buscar meus filhos na escola e se há algo profissional que precisa ser feito, espero eles dormirem para ligar o notebook. Também temos uma iniciativa corporativa muito bacana chamada “Happy Friday”. Saímos do escritório às 15 horas às sextas-feiras, o que me libera para resolver várias coisas e ter o final de semana mais livre com meus filhos.
 
Ao mesmo tempo, acho que como mãe me tornei mais produtiva. Fiquei mais focada, o que me permitiu sonhar com voos mais altos. No final do ano passado, decidi que estava na hora de repetir uma maratona e buscar um tempo melhor.
 
Quem já fez uma corrida dessa extensão sabe que o treinamento é duro. Quatro dias por semana de corrida, musculação, fisioterapia. Meu treinador traçou minhas metas ao longo do ano para chegar aos 42 km. Amigos queridos também se inscreveram para participar da prova. E, para minha maior felicidade, meu marido também decidiu estrear nas maratonas.
 
Começou então a engenharia de horários. Ele treinava de manhã, antes das crianças acordarem. Eu fiquei com o turno da noite, depois que as crianças dormissem. No sábado, contávamos com a ajuda das avós, para que pudéssemos treinar logo cedo. E no domingo, meu marido ficava com as crianças enquanto eu fazia meu treino. Uma loucura. Mas com disposição deu certo!
 
As crianças curtiram cada etapa da preparação e se empolgam com as medalhas e fotos. Lembro uma vez que estava assistindo com a Fefê a prova da maratona das Olimpiadas e ela me perguntou: “mãe, porque você não está correndo lá?” Quem me dera, pensei. Acredito que o exemplo do espírito esportivo, do trabalho e das responsabilidades que passamos em casa irá ajudar nossos filhos a serem adultos de caráter e pessoas felizes.
 
Quando meu marido, meus amigos e eu chegamos em Chicago, no início de outubro, era um sonho se tornando realidade. Estávamos lá para fechar o projeto de um ano, depois de mais de 1.000 km percorridos em treinamento. Agora só faltava os 42 km finais.
 
Claro que a prova é dura. Tem um momento que você pensa: o que estou fazendo aqui? Mas a determinação e a vontade de chegar lá te fazem ir além. E a mensagem de boa sorte que minha filha escreveu na camiseta que usei na prova me deu mais forças ainda.
 
A corrida parece um esporte solitário. Mas é só aparência. Porque para calçar o par de tênis e sair pelas ruas, é preciso se programar e ter o apoio daqueles que amamos (marido, família, filhos). Também é uma parceria que estabelecemos com aqueles que nos ajudam no treinamento (no meu caso o César, meu treinador), porque sozinhos é muito difícil evoluir. O incentivo dos amigos também é essencial. Tenho um grupo de amigos no “What’s up” que é quase uma “terapia” coletiva.
 
Além disso, tenho uma parceria de vida com meu marido. Sabemos que juntos somos fortes e podemos fazer muito, mas também sabemos que precisamos apoiar um ao outro na realização dos nossos sonhos pessoais. Eu tinha o objetivo de fazer uma nova maratona e ir mais rápido do que na primeira (consegui, terminei em 4h04!). Meu marido foi lá e me acompanhou. Agora, nesse fim de ano ele que vai se dedicar ao triátlon e eu estarei lá para apoiá-lo. E assim vamos equilibrando os pratos... um ajudando o outro, para que todos permaneçam intactos.
 
Os próximos sonhos? Me recuperar, voltar para as meias maratonas e, quem sabe, em 2016 volto aos 42 km!

 


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