Financial Times: Pais ficam em casa para ajudar as mães a investir na carreira
 
23Apr

Financial Times: Pais ficam em casa para ajudar as mães a investir na carreira

145 Visualizações
Claudio Herique

 

 

Uma matéria publicada no Financial Times e reproduzida no jornal Valor de 23/04 mostra que a história que eu conto no livro “Macho do Século XXI” é cada vez mais atual. O Escritório de Estatísticas Nacionais do Reino Unido divulgou um estudo recente que já contabiliza 229 mil homens exercendo o papel de donos de casa, número que praticamente dobrou nos últimos 20 anos. Nos Estados Unidos, as estatísticas são parecidas. Cerca de 550 mil homens cuidavam da casa no final da década passada – na década de 70 eram 280 mil.   
 
Acredito que mais importante do que os números é entender os motivos que estão por trás dessa decisão. Segundo o Financial Times, a decisão não é somente econômica. Uma boa parte das esposas ganham mais do que seus maridos. E como o custo para pagar alguém para cuidar dos filhos e da casa seria alto, fazia mais sentido que o homem abandonasse o emprego. Mas além disso, os pais acreditam que é melhor ter alguém no casal mais próximo dos filhos do que encarar malabarismos para administrar duas carreiras profissionais, babás e creches.
 
A princípio, as mulheres parecem ser as que mais se beneficiam com a decisão. Mais aliviadas das responsabilidades domésticas, elas podem concentrar-se em suas carreiras. Mas os homens mostram-se orgulhosos por apoiarem suas esposas e ao mesmo tempo, poderem cuidar de perto da educação dos filhos. Em resumo, trata-se de uma decisão madura, onde todos saem ganhando.
 
Gostei muito da frase de um dos entrevistados da matéria: “é preciso ser muito homem para fazer esse trabalho”. Acredite, não é exagero. E eu acrescentaria, ainda, que ficar em casa pode ser um desafio maior do que qualquer emprego. A minha vida de dono de casa melhorou muito quando eu comecei a fazer analogias com as situações que eu encarava quando era um executivo. Cuidar de uma casa e dos filhos requer uma série de habilidades. E muitas vezes, temos que começar algo do zero, ao contrário de uma empresa, onde você conta com todos os recursos e conhecimentos para realizar suas tarefas.
 
Embora sejam super valorizados por suas esposas – e não poderia ser diferente – é natural que os homens tenham seus dilemas, que não sou poucos. Sempre pinta uma culpa por não trazer um salário para casa. Outros acham que ficar em casa é tedioso, e muitos sentem falta da vida ”social” no escritório e de desafios intelectuais. Isso não é fácil mesmo, tanto que escrevi no meu livro sobre a “solidão intelectual” que eu sentia.
 
Mas o mais bacana é ver que apesar dos problemas, cada um vai se ajeitando como pode. E todos estão curtindo demais o contato mais próximo com os filhos, algo que não tem preço.
 
Eu costumo sempre dizer que atualmente fala-se muito no equilíbrio entre vida pessoal e trabalho, algo que em meio à correria do mundo competitivo de hoje, parece um objetivo cada vez mais distante. Não existe uma solução mágica para isso e nem sempre é possível abrir mão do salário de alguém para cobrir as despesas da casa. Mas uma coisa é certa: o trabalho em equipe pode ser uma boa saída para alcançar a tão sonhada vida familiar em harmonia.
 
A matéria do Financial Times reproduzida pelo Valor pode ser acessada no link a seguir, que necessita de pré-cadastro para acesso: http://www.valor.com.br/carreira/3523228/pais-ficam-em-casa-para-ajudar-maes-investir-na-carreira#. Caso você não tenha ou não queira fazer seu cadastro, segue abaixo uma imagem da matéria, que você pode salvar e ampliar para sua leitura. Recomendo demais. Trata-se de um bom resumo das situações que eu abordo no meu livro. Boa leitura!
 
 


Comentários